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sexta-feira, 11 de julho de 2014

O que aprendi com a Mona

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La Gioconda, de Leonardo Da Vinci (1)
Quando fui ao Louvre pela primeira vez, na enorme expectativa de ver a mais famosa pintura de todos os tempos, eu me decepcionei. Aos 16 anos, em meio a um inverno de escaldantes 5 graus positivos ao sol do meio dia, eu vi a incrível obra de 77 x 53 cm, com seu sorriso(?) enigmático.


Acontece que eu estava esperando algo fenomenal. E o que vi foi uma mulher meio feia, que mais parece.... E de repente veio uma excursão de japoneses, que passaram na minha frente. Tamanha a minha decepção com o quadro, que eu me virei e foi embora, junto com os japoneses, levados pelos seguranças do lugar, por usarem flash. Naquela viagem jurei a mim mesmo que nunca mais voltaria a Paris. Mas...

Agora, na minha lua de mel, que foi a minha segunda vez em Paris (até agora, que fique bem claro), eu e minha esposa fomos novamente ver a Gioconda. Dessa vez no verão, com a cidade lotada de turistas. Fomos aonde todos foram, e mais uma vez, lá estava a mona, toda paparicada, não por uma excursão, mas por centenas de turistas loucos para vê-la.

Então, eu entendi que não era eu que estava sem sorte. Era que a Gigi era realmente muito paparicada por todos. Mas, sabe como é, né?, vida de observador é um pouco diferente... Então eu comecei a reparar que na mesma sala e nos arredores haviam tantas obras mais bonitas de se ver; que os quadros, esculturas e tudo mais, só nas imediações, eram tão mais fantásticos, então por que a maior parte dos visitantes do museu estava fotografando, paparicando e dizendo óóóó para um quadro que seria só mais um, não fosse a fama que tem? E mais, muitos visitantes do museu iam lá só para ver o alter ego feminino do Leonardo Da Vinci (segundos alguns historiadores)...

Um bom exemplo é o quadro das Bodas de Caná,
As Bodas de Caná, de Paolo Veronese (2)

que está na parede oposta a nossa amiga Gigi. Uma riquesa de detalhes, perfeição, fluideza, que impressionam, dá pra passar horas observando esse quadro. Vale a pena clicar nesse quadro e ver mais de perto!


 Bem, e do outro lado da parede...
Veja lá em cima de novo... (3)
Acho que foi por que algum crítico de arte gabaritado disse isso. E todos nós, simples mortais, acreditamos.

Antes que alguém venha me dizer que eu não sou ninguém para falar mal de Leonardo da Vinci, quero dizer que eu não sou grande conhecedor de arte, e se conhecer, talvez eu até mude de opinião. Mas faço parte do público normal, o povão que vai visitar museus para ver coisas que enchem os olhos e a alma. Então, um quadrinho escuro, simples, de uma mulher feia, com um sorrisinho estranho... na boa, não faz muito a minha praia.

Comecei a raciocinar, então, que não existe lugar comum. A Mona pode ser espetacular para alguns, mas não para a maioria das pessoas.  Para mim, como para a minha mulher e para a maioria das pessoas que estavam lá, La Gioconda não passa de mais um quadro que passaria desapercebido, não fosse alguém falar que ele é especial. Então minha primeira observação ao constatar isso, foi gravar esse vídeo aqui, ó:



Agora, pare para pensar: quantas vezes você achou que alguma coisa é incrível, genial, fantástica, só por que alguém com carisma, fama ou currículo disse isso? Mais do que isso, quantas vezes a gente perdeu cosias espetaculares, por acomodação, preguiça mesmo... Pois é isso que as pessoas normalmente fazem, e esse comportamento bovino vai muito além... 

Talvez esteja na hora de você ser quem puxa a boiada... Mas antes, deixe seu comentário e/ou compartilhe essa postagem! (risos)
Apenas dando nome aos bois: "Mona Lisa ("Senhora Lisa" ) também conhecida como A Gioconda (em italiano, La Gioconda, "a sorridente" ; em francês, La Joconde) ou ainda Mona Lisa del Giocondo ("Senhora Lisa [esposa] de Giocondo") é a mais notável e conhecida obra de Leonardo da Vinci." fonte, wikipedia.

Seja um agente melhorador do mundo, não esteja aqui só por que esta vivo. Viver a vida vai muito além da novela, das fofocas, e do trabalho. É enxergar o que ainda ninguém viu, e todos temos essa capacidade!

Até os próximos 5 minutos.


 Fontes:

Quadros:
(1)- La Gioconda - Do Léo
(2)- São João Batista (com o dedo para cima) - Do Léo
(3) - As Bodas de Caná (que é a representação de quando Jesus transforma água em vinho) - De Paolo Veronese
- e um outro monte que aparece no vídeo...



segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ser inteligente é diferente!



Abandone quase tudo o que a escola te ensinou!
Ainda não sei se esse não seria o título ideal.

Olá!

Permitam-me recorrer aqui a um texto clássico, contido no livro O Senhor está brincando, Sr. Feynman?

O Sr. Feynman foi um físico que foi enviado do governo americano para essa terra tupiniquim entender como estávamos ensinando física aos nossos futuros professores.

No final desse post, deixo o link com o texto, calma...

O interessante é que nosso herói, é um prêmio Nobel e também esteve envolvido com o Projeto Manhattan (assunto para outro post), que botou abaixo duas cidades no Japão.

Mas o que tudo isso tem a ver com o título dessa postagem? Bem, eu explico:

Eu sempre gostei de ciências. Quando era criança, meu pai, recém formado em Eletrônica, construía brinquedos para mim, como um pianinho elétrico, feito de madeira, parafusos, uma soleira de carpete serrada (para dar o contato elétrico e fazer as teclas), um punhado de resistores, fios um alto-falante e um 555 (circuito integrado da época). Eu sabia que aquele conjunto de peças dava um  pianinho. Assim como sabia que se ligasse uma corrente maior, a velocidade do motor, seria a mesma, mas a força não.

O que eu quero dizer que meu interesse por ciências nasceu da minha descoberta do mundo. E morreu quando eu cheguei na escola. Eu simplesmente não entendia. Será que eu era burro?

Cresci com esse estigma de ser deficiente. A maioria dos professores do meu ensino médio falavam isso, meus colegas de sala também. Mas fora da sala, eu era capaz de entender muito melhor o mundo a minha volta do que qualquer colega meu. O que estaria acontecendo?

Para mim era o pesadelo ter que ler um livro. Essas coisas simplesmente não faziam sentido para mim. Na escola, eu não podia fazer perguntas, por que estaria atrapalhando a aula, atrasando os outros colegas e incomodando os professores. Na 7a série, os colegas diziam: pedra não fala, então cale a boca!

A vida ficou sem sentido algum, e eu quis sinceramente acabar com ela, ou não tive coragem ou não fui competente a esse ponto, ainda não sei... Quando racionalizo, penso que DEUS (chame-O como quiser) é que não permitiu que isso acontecesse...

Mas por que eu estou falando isso? Apesar de existirem alguns professores que literalmente salvaram a minha vida, a grande assustadora maioria apenas repete o conteúdo que foi aprendido. Aprender um conteúdo não se chama inteligência, se chama erudição! O inteligente sabe usar o que aprende e é capaz de criar novas teorias sobre suas observações, mas não necessariamente sabe quem disse isso ou aquilo. O erudito é um especialista em informações. É um banco de dados. Uma coisa não exclui a outra, mas são completamente diferentes. Chamamos, aqui no Brasil de inteligente, quem é, na verdade, erudito.

Nossas provas, vestibulares, e toda a sociedade foi educada para decorar o que está nos livros, sem se preocupar se quem está do outro lado aprendeu. Isso até no ensino de matemática! Se um aluno descobre outro jeito de resolver um problema, isso é desestimulado, claro, daria mais trabalho para o professor incentivar o aluno.

Nosso ensino médio e superior entrega o aluno de forma mais avançada no conteúdo, do que escolas dos norte-americanos. Entretanto, produzimos muito menos físicos, químicos, engenheiros, médicos, e até professores competentes do que eles. Por quê? Nós e toda a nossa cultura não ensina a pensar. É claro, existem exceções e não raras, mas poucas.

Nossos livros didáticos são tão ruins, que precisamos de uma extrema força de vontade para virar a página.

Um exemplo perfeito foi o dado pelo Sr. Feynmann no seu livro, falando sobre nossos livros didáticos de física, veja que interessante:

... Ao folhear o livro aleatoriamente e ler uma sentença de uma página, posso mostrar qual é o problema – como não há ciência, mas memorização, em todos os casos. Então, tenho coragem o bastante para folhear as páginas agora em frente a este público, colocar meu dedo em uma página, ler e provar para os senhores.”
Eu fiz isso. Brrrrrrrup – coloquei meu dedo e comecei a ler: “Triboluminescência. Triboluminescência é a luz emitida quando os cristais são friccionados…”...

Agora, experimente falar dessa forma para um estudante:

...  ‘Quando você pega um torrão de açúcar e o fricciona com um par de alicates no escuro, pode-se ver um clarão azulado. Alguns outros cristais também fazem isso. Ninguém sabe o motivo. O fenômeno é chamado triboluminescência’. Aí alguém vai para casa e tenta. Nesse caso, há uma experiência da natureza.” Usei aquele exemplo para mostrar a eles, mas não faria qualquer diferença onde eu pusesse meu dedo no livro; era assim em quase toda parte. ...

Nosso emburrecimento nacional começou na escola. Que contrassenso!

Por hora eu vou ficando por aqui. Mas esse tema vai voltar muitas vezes, acho que vai ser uma série de textos.

Quero agradecer aos professores, da escola e fora dela,  que salvaram a minha vida...

Ah, sabe quando foi a visita ao Brasil? na década de 1950....

Veja a parte na íntegra do texto que extraí para essa postagem. Ou, compre o livro, meu!

Até o próximo post! 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um dos mais cinematográficos assaltos do mundo, terminou em música, e você gosta!

Um dos roubos mais espetaculares da história aconteceu no dia 8 de agosto de 1963 - há 40 anos - e envolveu 16 pessoas no condado de Buckinghamshire, Inglaterra. Na ação, o bando levou de um trem postal a espetacular quantia de 2 631 784 libras esterlinas em notas miúdas - hoje em dia, o equivalente a cerca de 220 milhões de reais!

Leia essa postagem com a Trilha sonora Superfantástico, por que tem tudo a ver!

O trem postal foi detido a 64 km de Londres. O comboio Glasgow – Londres pertencia à categoria dos trens fantasmas 54-B, cujos horários eram desconhecidos do público, e que tinham por missão transportar o correio rapidamente através da Grã-Bretanha. 

Duas conhecidas gangues de Londres, a South West e a South East ("Sudoeste" e "Sudeste", em português) juntaram suas forças para pôr o crime em prática. Entre os bandidos, estavam um antiquário, um renomado cabeleireiro londrino, um ex-boxeador dono de uma boate e o dono de uma pequena editora.

Os ladrões descobriram que um trem do correio recolhia os depósitos de bancos da Escócia e os levava para a capital inglesa. Eles estudaram a rota e os horários da locomotiva, além de escolher a dedo a data do crime: o dia seguinte a um feriado bancário, quando o trem carregaria os depósitos de dois dias.

Por volta das 3 e meia da manhã, o trem passava por uma região conhecida como Sears Crossing. Lá havia uma sinaleira que, ao acender uma lanterna de cor âmbar, indicava parada obrigatória cerca de 1 quilômetro adiante nos trilhos - os ladrões simularam a luz de alerta e tomaram de assalto o trem.
Ronald Biggs, traduzindo
a camiseta: "Prisioneiro do Rio."


 O maquinista foi obrigado a levá-los à próxima estação, onde foi descarregado o dinheiro em 28 minutos. 

Daí para frente o que se segue é uma corrida para pegar os gatunos.

Acuado pela ação da polícia, o grupo abandonou às pressas o esconderijo, contratando um comparsa para limpar os rastros. No entanto, o faxineiro se limitou a surrupiar metade da dinheirama. Detalhe: o traidor nunca foi localizado pela polícia. A Scotland Yard descobriu impressões digitais nos quatro cantos da casa, inclusive em peças do jogo Banco Imobiliário, o que facilitou a identificação dos assaltantes.



Menos de um mês depois, a maior parte da gangue já frequentava a fila do bandejão do presídio mais seguro da Inglaterra. (Ah se fosse no Brasil...) 

 Depois de passar quase dois anos encarcerado, em 8 de julho de 1965, o ex-carpinteiro Biggs, corrompendo funcionários da penitenciária, conseguiu escapar da prisão.

Depois da fuga, viveu na Austrália por três anos. Com medo de ser reconhecido, escapou para o Panamá e voou, em 1970, para o Rio de Janeiro (tá vendo onde veio parar?). 

Capa de um dos discos do Balão Mágico, década de 1980.
"Meu pai já não tinha mais um centavo, pois havia gastado tudo fugindo pelo mundo", diz Michael Biggs, o Mike, que também virou celebridade ao integrar, na década de 80, a banda infantil Turma do Balão Mágico. 

Mike, filho de Ronald Biggs com a dançarina Raimunda de Castro, foi quem salvou o pai das garras da polícia britânica. Pela lei, nenhum estrangeiro pode ser extraditado se tiver um filho com uma pessoa de nacionalidade brasileira.

Depois de viver por mais de 30 anos no Brasil, Biggs decidiu se entregar às autoridades britânicas em maio de 2001. 

Lá, foi para a prisão de Belmarsh, de segurança máxima, em Londres, e cumpre 55 anos de pena. "Aqui na Inglaterra, não há prescrição de crime", afirma Mike Biggs.


A cronologia do que se denominou o "roubo do seculo" é a seguinte:
8 de agosto de 1963 - 3 horas da madrugada. O trem-correio Glasgow-Londres, que transportava cedulas bancarias no valor de 2.600.000 libras esterlinas, é detido em pleno campo pelos "piratas do trilho" e "esvaziado" em 28 minutos. O assalto teve lugar perto de Cheddington, a Nordeste de Londres, com uma precisão militar e uma audacia fora do comum.
11 de agosto - A Scotland Yard sabe que a operação foi organizada por uma equipe de tecnicos e preparada com varios meses de antecipação.
13 de agosto - Trezentos policiais encontram uma granja em Leathersdale, que os bandidos tinham abandonado pela manhã, e recolhem diversas impressões digitais.
15 de agosto - Cinco suspeitos são detidos e 100.000 libras esterlinas procedentes do assalto são recuperadas na carroçaria de um veiculo abandonado em um bosque.
22-24 de agosto - Toda a imprensa britanica publica a fotografia dos cinco suspeitos, entre os quais figuram Bruce Reynolds, detido ontem, o "bookmaker" Charles Wilson e Roy James. Wilson é detido no dia 23 de agosto.
24 de agosto - A Policia detem um total de 19 suspeitos. Entre eles não estão nem Bruce Reynolds nem Roy James, detido no dia 10 de dezembro.
20 de janeiro de 1964 - Inicio do processo contra os vinte acusados do assalto.
16 de abril - Depois de ter ouvido o depoimento de 204 testemunhas, o tribunal de Aylesbury (Buckinghamshire) condena 12 acusados a penas que oscilam entre 3 e 30 anos de carcere.
6 de julho - Inicia-se o processo de apelação dos condenados, cujas penas são confirmadas em conjunto.
12 de agosto - Charles Wilson foge da prisão de Wilson Green em Birmingham, ajudado por cumplices fora da prisão. A perseguição levada a efeito em todo o territorio britanico resulta vã.
18 de julho de 1965 - Outro condenado, Ronald Biggs, foge tambem da prisão de Wandsorth (Londres).
12 de julho - O principe Carol, da Romenia, pede ao governo britanico que afirme publicamente que nada tem a ver com os assaltantes do trem-correio. Haviam circulado rumores de que o principe Carol manteria relações com Ronald Biggs. O governo britanico satisfez esse pedido.
21 de abril de 1966 - James White, procurado por sua participação no assalto do trem-correio, é detido e condenado no dia 20 de julho a 18 anos de prisão.
19 de setembro - Ronald Edwards, procurado por sua participação no roubo, é detido e condenado a 15 anos de prisão em novembro de 1966.
25 de janeiro de 1968 - Charles Wilson é detido no Canadá, onde tinha se refugiado após sua fuga, e transferido para a Grã-Bretanha.
8 de novembro de 1968 - Bruce Reynolds é detido em Torquay. Era o unico suspeito que tinha conseguido fugir a todas as buscas policiais.
O paradeiro de Ronald Biggs continua sendo um misterio, mas não se exclui a possibilidade de que tenha sido assassinado.


Manchete no Jornal do Brasil, em 1968





Bibiografia:
http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_124175.shtml
http://almanaque.folha.uol.com.br/mundo_09nov1968.htm
http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=9559